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BC da Suécia corta juro para zero com temor de deflação

O banco central da Suécia (Riskbank), cortou sua taxa de juros de referência de 0,25% para zero em reunião realizada ontem, em uma tentativa de evitar que o país entre em uma espiral deflacionária.
 
Se o corte se provar insuficiente, o banco central mais antigo do mundo (criado em 1668) pode partir para território desconhecido - o das medidas não convencionais, como nos Estados Unidos, Reino Unido e Japão.
 
A redução dos juros foi mais forte do que os analistas esperavam (10 pontos-base) e levou a taxa referencial para sua mínima histórica. O "corredor" entre a taxa de recompra e a taxa de depósito foi mantido, ou seja, esta última também foi reduzida em 25 pontos-base, para -0,75%. Os juros vêm sendo reduzidos desde o fim de 2011, quando era de 2%.
 
O temor de um ambiente deflacionário na Suécia vem crescendo ao longo dos últimos dois anos, a partir de resultados muito fracos de variações de preços. Isso é também notório na zona do euro e no Japão, por exemplo.
 
A meta de inflação do Riskbank é de 2% ao ano e o CPI (índice de preços ao consumidor) deve mostrar deflação de 0,2% neste ano e subir 0,4% em 2015, de zero em 2013, segundo projeções atualizadas do banco central.
 
Diferentemente da zona do euro, a economia sueca "está relativamente forte, a atividade econômica continua a melhorar, mas a inflação está muito baixa", segundo comunicado da reunião.
 
O impulso à atividade vem principalmente do consumo das famílias e do investimento em habitação. De modo inverso, as exportações - setor chave para a economia - ressentem-se do baixo dinamismo dos parceiros comerciais, especialmente a união monetária. Dessa forma, o BC sueco elevou suas projeções para o PIB em 2014 (1,7% para 1,9%) e rebaixou as de inflação, que só atingiria a meta de 2% no terceiro trimestre de 2016. O crescimento esperado para 2015 foi reduzido de 3% para 2,7%, enquanto subiu de 3,1% para 3,3% em 2016.
 
O grande risco atual - reforçado pelos juros ainda mais baixos - é o nível elevado de endividamento das famílias.
 
"O fato de a taxa "repo" estar agora sendo reduzida ainda mais para fazer com que a inflação suba vai aumentar os riscos associados ao elevado endividamento das famílias", disse o banco central. "Por isso, é agora ainda mais urgente que esses riscos sejam gerenciados."
 
Além disso, afirmou o BC, "as reformas são necessárias para um melhor funcionamento do mercado imobiliário". Em outras palavras, o BC sueco evocou medidas do lado macroprudencial de forma a conter o aumento do endividamento das famílias e os preços dos imóveis, já que a política monetária deve focar a meta de inflação.
 
Muitos analistas vinham criticando a postura do BC sueco, considerando que o risco de deflação estava subindo e a autoridade monetária estava "atrás da curva" por receio de alavancar ainda mais o endividamento da população.
 
O economista Paul Krugman chegou a chamar a postura da política monetária sueca de "sadomonetarismo", dado que, segundo ele, o BC estava arriscando criar uma armadilha deflacionária como foi no Japão.
 
Os juros apenas serão normalizados em meados de 2016, segundo informou o banco central. Assim, a taxa de recompra encerraria o quarto trimestre daquele ano em 0,75%, bem abaixo da previsão anterior de 1,75%.
 
Com as ações de estímulo do Banco Central Europeu (BCE) e a anterior diferença entre as taxas de juros, a moeda sueca também estava se apreciando, criando outra força deflacionária na economia. O mercado não descarta que o Riskbank possa cortar novamente a taxa de referência para abaixo de zero ou mesmo partir para medidas não convencionais, no caso de a inflação não reagir a contento.
 
O presidente do BC sueco, Stefan Ingves, negou, entretanto, que medidas não convencionais sejam necessárias: "Eu acho que será suficiente". Ingves, porém, fez uma ressalva: "Mas se o mundo mudar completamente, temos ferramentas para fazer outras coisas".
 
Fonte: Valor Econômico / Roberta Costa - 29.10.14


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