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Banco Central prevê aumento do ‘shadowbanking’ no país

O “shadow banking” — intermediação de crédito feita por entidades não- bancárias—é um fenômeno recente no Brasil e tende a crescer mas seu risco é menor no Brasil do que na maioria dos outros países onde é praticado. A estimativa foi feita ontem pelo diretor de fiscalização do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles, durante apresentação no 4º Congresso Internacional de Gestão de Riscos promovido pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). “O Banco Central está atento. Mas boa parte do que pode ser considerado shadow banking aqui já é feito por entidades reguladas, como cooperativas e fundos de investimento”, disse.
 
Segundo o Financial Stability Board (FSB), Comitê de Estabilidade Financeira, na sigla em inglês, o shadow banking representa hoje metade do sistema bancário global (ou US$ 70 trilhões) e 120% do PIB de 20 países pesquisados, O Brasil responde por apenas 2% do total.
 
Meirelles afirmou, porém, que o BC estará atento para exercer uma supervisão efetiva sobre o segmento. “Os acordos firmados com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza os fundos e as operações de securitização, facilitam a evolução da supervisão sobre essas entidades”, diz. No Brasil, a atividade de ‘shadow banking’ está concentrada em fundos de investimento— que tem cerca de R$ 2,5 trilhões em ativos, boa parte deles em operações compromissadas com títulos públicos (que é uma espécie de crédito). Mas também é exercida por cooperativas de crédito, certificados e fundos de recebíveis, e até pelo varejo—embora nesse caso a maioria tenha por trás uma instituição financeira.
 
O shadow banking prolifera quando há excesso de controle do governo sobre o mercado financeiro, e/ou aumento de recursos disponíveis— o que derruba as taxas de juros. “Nesses momentos, parte da atividade de intermediação financeira migra para instituições não-bancárias em busca de remuneração melhor”, explica. A atividade cresceu muito na China, exatamente por conta do excesso de regulamentação; e na Europa e Estados Unidos no período que antecedeu a crise financeira de 2008, pelo excesso de liquidez.
 
O BC admite que o shadow banking tem riscos, mas considera que a atividade também apresenta a vantagem de ampliar o acesso ao crédito. No caso brasileiro, por exemplo, fundos que aplicam em debêntures de infraestrutura são um exemplo de desintermediação bancária que é benéfico, acredita Rodrigo Lara Pinto Coelho, consultor do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro e de Gestão da Informação (Desig) do BC.
 
A maior preocupação é com o risco sistêmico, diz Coelho — ou seja, com as conexões que essas entidades tem como sistema bancário, já que muitos fundos são controladas por bancos. Em contrapartida, o risco desses fundos é baixo, pois 60% dos ativos que carregam são títulos públicos.
 
Meirelles falou também sobre os avanços da implantação da terceira fase do acordo de capitais de Basileia. “O que é novidade nesse acordo não é tão novo para o Brasil”, disse, referindo ao fato de que aqui o BC já adotava regras mais rígidas do que a média.
 
“É importante destacar que antes mesmo de incorporar as regras de capital de Basileia III, o Brasil já contava com regulação prudencial e supervisão bancária mais rigorosas que as existentes na maiorias das economias avançadas”, reforçou o presidente da Febraban, Murilo Portugal. “Por contar com um quadro prudencial que, em vários aspectos, já estava próximo dos novos requisitos estabelecidos em Basileia III, a implantação das novas normas no Brasil vem se dando sem sobressaltos”.
 

Fonte: Brasil Econômico / Léa De Luca - 01.10.14


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