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Para Anbima, é investidor quem deve se mexer



Cabe ao investidor evitar os fundos de taxa de administração mais alta, pesquisando e procurando alternativas mais baratas e compatíveis com seu perfil para aplicar seu dinheiro. A opinião é do presidente da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima), Marcelo Giufrida. Ele não quis comentar as informações sobre as investigações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com relação às taxas elevadas dos fundos de investimento. 


Segundo Giufrida, a definição das taxas de administração é uma relação comercial entre administrador do fundo e investidor, que tem a ver com uma série de aspectos da aplicação. "Mas temos orientado o investidor pelo site, em entrevistas e seminários a pesquisar as caracteristicas de cada fundo, entre elas a taxa de administração". 


O presidente da Anbima diz que não foi procurado pela CVM para discutir a questão das taxas de administração. "E nem seria o caso de o órgão regulador nos consultar para agir", lembra. Ele atribui as taxas elevadas de algumas carteiras a casos isolados. "No Brasil, existem 8 mil fundos, e se se analisa pontualmente uma distorção, não dá para extrapolar a taxa de um como representativa de toda a categoria", diz. Ao mesmo tempo, ele cita pesquisas feitas pela entidade que mostram a queda das taxas médias de administração, em 19,7% de 2005 para 2009. 


Segundo ele, a livre concorrência é melhor maneira de reduzir o custo dos fundos de investimento. "Por isso recomendamos ao investidor pesquisar, às vezes ele tem conta em dois bancos, pode negociar, questionar o gerente e encontrar um fundo com taxa mais competitiva", diz. 


Outra opção é, na ausência de alternativas mais baratas, buscar fundos semelhantes. "Se não há opção mais barata em DI, ele pode mudar para um renda fixa que esteja mais em conta, desde que esteja dentro do perfil dele", diz. Para Giufrida, os bancos que mantiverem taxas de administração muito altas em seus fundos vão perder mercado e serão forçados a mudar suas políticas. "É uma questão estrutural, com a queda dos juros, esse processo vem acontecendo na média do mercado e vai continuar", diz. 


Parte da redução da média das taxas de administração ocorreu porque muitos bancos reduziram a aplicação mínima em carteiras com custo mais baixo, lembra Giufrida. Boa parte desse movimento ocorreu no ano passado, por conta da queda dos juros, que aumentou a competitividade da caderneta de poupança em relação aos fundos com taxa de administração mais alta. 


O problema, segundo analistas, é que os fundos antigos de varejo, com custo mais alto, mantiveram suas taxas de administração. Com isso, há um estoque de aplicações que pode estar pagando mais por falta de informação, conhecimento ou até por comodismo dos investidores, que preferem não trocar de fundo. 


Alguns bancos também argumentam que cobram mais porque oferecem comodidades para o investidor, como o resgate automático das aplicações quando o saldo da conta corrente fica devedor. Outros, oferecem sorteios de prêmios. Tudo em troca de taxas de administração em geral acima de 4% ao ano.


Fonte: Valor Econômico/Angelo Pavini - 10/03/10

     
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