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Que seja o início de uma bela amizade!



O teor dos recentes ataques à ordem financeira assemelha-se ao de um dos célebres diálogos do clássico Casablanca, quando na peremptoriedade em se encontrar um responsável pelo assassinato de um oficial nazista, Louis, o corrupto comissário de polícia, proclama: “Prendam os suspeitos de sempre!”.  O considerável acúmulo de crises e escândalos financeiros, com enormes prejuízos para os contribuintes, é uma das principais razões para que essa hostilidade  contamine o inconsciente coletivo das sociedades.  Assim, inevitavelmente, os mercados financeiros são mais percebidos como culpados pela pobreza e exploração, do que como agentes para a promoção da prosperidade.


Ainda que a comunidade financeira tenha a sua parcela de culpa, a urgência política em se achar responsáveis pela crise parece inoportuna. Em contraste à persistência das debilidades na economia real, o fortalecimento do setor financeiro, obtido com o êxito do socorro do setor público, desperta um clamor revanchista. De modo que uma taxação adicional do sistema, restrições nas remunerações dos executivos e sugestões de aperto na regulamentação e fiscalização passam a compor o vocabulário da opinião pública. O ressentimento contra os mercados financeiros é recrudescido, ainda, com o retorno da volatilidade nos fluxos de capitais, e alimentado, também, pela instabilidade fiscal de alguns países da Europa.


Embora impopular, é justificável que nos primeiros estágios pós-crise se verifique um contraste na velocidade de recuperação do setor real e financeiro das economias ricas. Contudo, se compreensíveis em termos de resposta política, as medidas, se tomadas de afogadilho, poderão se tornar contraproducentes e, até no limite, conduzir o sistema para um novo desarranjo. Nos atuais esforços em se conceber uma nova ordem econômica global, essa percepção estereotipada do papel dos mercados financeiros deve ser relativizada. Contudo, com toda essa aversão, é mais natural que se indague: de que serviria a integração financeira internacional?


Carta Econômica da ABBC  - Fevereiro/10


Everton P. S. Gonçalves – Assessor Econômico da ABBC- Associação Brasileira de Bancos


Íntegra da carta

     
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