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Estímulo evitou grande depressão nos EUA, diz estudo



A reação dos EUA à crise financeira provavelmente evitou uma depressão, ao amenizar a queda do PIB e salvar cerca de 8,5 milhões de empregos, disseram os economistas Alan Blinder e Mark Zandi.


Medidas governamentais de política econômica e financeira, incluindo o estímulo fiscal, o socorro a empresas financeiras, os testes de estresse aos quais os bancos foram submetidos e a compra pelo Fed (o banco central dos EUA) de títulos hipotecários vinculados a financiamentos habitacionais para reduzir os juros, provavelmente evitaram o que poderia ter sido chamado de Grande Depressão 2.0, disseram Blinder e Zandi em um estudo chamado How the Great Recession Was Brought to an End. Sem essas medidas, os EUA teriam entrado em deflação, disseram eles.


Os congressistas americanos estão debatendo os custos e benefícios das medidas tomadas pelos governos Bush e Obama, entre elas as operações de socorro ao Citigroup e ao Bank of America em 2008 com dinheiro do contribuinte. Autoridades do governo Obama dizem que o socorro ajudou a estabilizar a economia, ao passo que os republicanos, tendo pela frente as eleições legislativas neste ano, têm criticado o programa, acusando-o de beneficiar os banqueiros de Wall Street, em vez dos americanos comuns.


Dezoito meses atrás, o sistema financeiro mundial estava à beira do colapso, e os EUA estavam sofrendo a sua pior crise econômica desde os anos 1930, dizem Blinder e Zandi em seu estudo. A Grande Recessão deu lugar a uma recuperação tão rápida em grande parte por causa da reação sem precedentes de políticas monetária e fiscal.


Blinder, 64 anos, foi vice-presidente do Fed e é professor de economia na Universidade Princeton e vice-presidente da Promontory Interfinancial Network, uma firma de consultoria para o setor bancário com sede em Washington. Zandi, 51 anos, é economista-chefe da Moody Analytics, em Nova York. Ambos são muito respeitados no meio acadêmico americano.


Se os governos Bush e Obama não tivessem agido, o PIB teria caído 7,4% em 2009, em vez de 2,4%, dizem os economistas.


Nesse cenário, no momento em que o desemprego chegasse ao máximo, cerca 16,6 milhões de empregos teriam sido perdidos  aproximadamente o dobro do número efetivamente perdido , escrevem eles.


Somente o estímulo fiscal do governo fará o PIB crescer cerca de 2% em 2010 e adicionará cerca de 2,7 milhões de empregos às folhas de pagamento americanas, dizem Blinder e Zandi.


Em outubro de 2008, o Congresso autorizou a liberação de US$ 700 bilhões, usados no Programa de Socorro a Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês) para evitar um colapso do sistema financeiro americano. O programa tem sido criticado por congressistas de ambos os partidos  como a senadora Maria Cantwell, democrata do Estado de Washington, e o deputado Jeb Hensarling, republicano do Estado do Texas  por ajudar mais os grandes bancos do que aos cidadãos comuns.


O Tarp foi um grande sucesso, tendo ajudado a restaurar a estabilidade do sistema financeiro e a frear a queda livre dos mercados imobiliário e automobilístico, escrevem Blinder e Zandi. O custo para os contribuintes será uma pequena fração do montante inicialmente concedida pelo Congresso, provavelmente menos de US$ 100 bilhões  e a parte do Tarp dedicada ao salvamento de bancos ?provavelmente produzirá um lucro, dizem eles.


Alguns economistas, porém, discordam dessa conclusões. Estou muito surpreso que eles tenham achado impactos tão grandes. Isso não corresponde em nada ao trabalho empírico que venho fazendo, disse John Taylor, professor da Universidade Stanford e pesquisador do Hoover Institution, centro de estudos tradicionalmente ligado aos republicanos.


Taylor disse que o Fed conseguiu estabilizar os mercados monetários, mas diz que a compra de US$ 1,25 trilhão de títulos garantidos por hipotecas não foi efetiva. Para ele, o programa de estímulo do governo de Barack Obama teve muito pouco impacto e se destacou apenas pelo legado de crescimento da dívida.


Leia o estudo em: www.economy.com/mark-zandi/documents/End-of-Great-Recession.pdf  


Fonte: Valor Econômico / Bloomberg - 29/07/2010 


 

     
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