É uníssono entre os operadores das mesas de câmbio o sentimento de ansiedade quanto aos próximos passos do Banco Central.
A autoridade monetária já sinalizou a intenção de enxugar o acúmulo de dólares à venda no mercado futuro e dar espaçopara uma trajetória de valorização do dólar, hoje na faixa dos R$ 1,77.
Para tanto, recorreria novamente após 13meses aumleilão de contratos de "swap cambial reverso".
Especialistas, porém, questionama eficácia.
Esse instrumento foi utilizado pela última vez em maio de 2009. Como todo derivativo, é uma junção de apostas sobre o comportamento de um ativo no futuro. Nesse caso, ocorre um swap (troca em inglês) de rentabilidade.
O BC adquire dólares concordando em pagar às instituições financeiras a variação dos juros (Selic) durante o contrato.
À autoridade monetária, resta a variação da divisa. Na prática, é uma compra de dólares no mercado futuro. E mais demanda significa valorização da divisa americana. O swap cambial reverso deriva do swap cambial, que faz exatamente o inverso e foi introduzido pelo ex-presidente do BC Armínio Fraga nas eleições de 2002, sob projeção de alta do dólar.
O cenário agora é outro.
Mesmo com alguns indicadores apontando pressão para cima, a moeda americana vem perdendo força ante o real. E,mediante a expectativa de ingresso de recursos externos, os bancos possuem hoje uma posição vendida de US$ 12,9 bilhões no mercado à vista, enquanto os estrangeiros estão vendidos em US$ 6,5 bilhões no mercado futuro. Trabalho para o swap reverso? O economista Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO Corretora, considera ilusória sua eficiência.
"É um instrumento que, na prática, derruba o dólar, porque os bancos atuam para apreciar o real e ganhar não só na variação dos juros", opina.
De qualquer forma, a atuação da autoridade garantiria liquidez, para as instituições cobrirem sua posição. Na sexta-feira passada, o BC fez contato com agentes importantes para testar o apetite do mercado pelo swap reverso. "Na minha visão, há uma busca para que o mercado reverta espontaneamente essa situação.Mas não foi o que aconteceu.
De sexta para cá, a redução das posições vendidas dos bancos foi quase nula", percebe André Nunes, presidente do Grupo Fitta, empresa de franquias de agência de câmbio.
Para ele, se não houver nenhuma atitude do BC, "o mercado vai forçar o câmbio para baixo novamente. Não consigo ver o dólar subindo".
Felipe Pellegrini, analista do Banco Confidence, lembra dos cerca de US$ 15 bilhões mantidos pelos exportadores no exterior aguardando um dólar mais atrativo para desembarcar no Brasil. "A moeda pode subir rapidamente.
Logo entra capital e cai", comenta. "É um momento de cautela", acredita.
Fonte: Brasil Econômico / Conrado Mazzoni – 29/07/2010