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Cresce participação do BNDES no crédito



Com foco no financiamento de investimentos de longo prazo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) é responsável por 80% do volume desembolsado para a indústria e infraestrutura. Os números mostram que o banco nos últimos anos é o principal player no crédito às companhias. Segundo o Banco Central, em maio, a participação do estoque de crédito do BNDES em relação ao crédito ofertado pelos bancos comerciais às empresas, ficou em 60,8%. É o percentual mais alto dos últimos cinco anos, quando, em janeiro de 2005, foi de 60,6%.


Segundo o economista da área de pesquisas econômicas do BNDES, Fernando Pimentel Puga, quando a taxa de investimento da economia cresce, há maior demanda do banco de desenvolvimento. O destino dos investimentos é cíclico, conforme o cenário econômico. Antes de 2004, a procura maior era por crédito para modernização (compra de máquinas e equipamentos). A partir de 2005, cresceram os pedidos de financiamentos de grandes projetos de longo prazo, ou seja, novas plantas e ampliação das existentes.


"Os investimentos em infraestrutura no setor de energia elétrica, por exemplo, reduzirão o risco de falta de energia. É tão importante para o setor como para todo o restante da economia." De 2010 a 2013, na área de infraestrutura, os setores de logística (ferrovias, transportes rodoviários e portos) vão liderar as perspectivas de crescimento dos investimentos. Sem esquecer os recursos necessários aos projetos voltados aos eventos esportivos (Copa do Munido e Olimpíadas), que somam R$ 59 bilhões, com estimativa de que 80% desses recursos sejam públicos.


No Brasil, a oferta de crédito total em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) quase dobrou entre março de 2004 e dezembro de 2009, passando de 23,1% para 45%. Em países desenvolvidos, o percentual atinge mais de 100%. Em algumas economias em desenvolvimento, na Ásia e no Chile, é superior a 80%. O crescimento do crédito deve levar o Brasil aos níveis mais próximos aos das economias desenvolvidas. Estima-se que em 2014, ano da Copa do Mundo, a relação crédito e PIB chegará a 70%. "Estamos saindo de uma taxa de investimento na economia de 16% para chegar aos 22% em 2014", diz.


Na oferta de crédito total do país, analisando os últimos cinco anos, a participação do desembolso do BNDES correspondia a 21,8% em janeiro de 2005. Caiu para 16% em agosto de 2008 e voltou a subir para 20,2% em maio de 2010.


A participação de 20% do BNDES no crédito total da economia não é um parâmetro a ser seguido nos próximos anos. Segundo Puga, não existe percentual ideal para o crédito público. A proporção vai depender do desenvolvimento do crédito privado. "O BNDES sozinho não supre a demanda existente pelo investimento dos bancos. Para a maior participação das instituições privadas, o BNDES procura não financiar 100% de um grande projeto para que haja manifestação dos parceiros privados. Também há a expectativa de que o mercado de capitais, em conjunto com os bancos, venha a ter um papel mais importante no atendimento dessa demanda", destaca.


A indústria sofreu com forte queda na na oferta de recursos nos bancos privados e estrangeiros no final de 2008, durante crise financeira global. Várias medidas foram implementadas pelo governo para que o mercado de crédito não entrasse em colapso. Entre as iniciativas: redução do compulsório dos bancos, redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e R$ 100 bilhões do Tesouro Nacional para o BNDES.


Segundo Puga, caso o BNDES não tivesse entrado na oferta de crédito, muitos projetos de interesse nacional não teriam saído do papel. A entrada de R$ 100 bilhões no funding do banco de desenvolvimento, no início de 2009, foi importante para a operacionalização da linha do BNDES Programa de Sustentação do Investimento (PSI), voltada ao financiamento de máquinas e equipamentos.


A maior atuação do BNDES durante a crise financeira deixou resultados. O crédito do sistema financeiro público passou de 12,8% para 18,6% do PIB, mais 5,8 pontos percentuais.


Desde 2003, o mercado de crédito apresenta evolução. Os bancos comerciais se especializam na oferta de recursos para necessidades de curto prazo das empresas: capital de giro e conta garantida (equivalente à linha de cheque especial para as pessoas físicas), enquanto que o BNDES se concentra nas obras de infraestrutura de longo prazo, avalia o economista da Tendências Consultoria, Alexandre Andrade. "Em 2009, o total de crédito ofertado às empresas não mostrou a mesma recuperação que o crédito ofertado à pessoa física. A explicação para a não recuperação pode ser creditada, em parte, também ao BNDES", afirma.


Fonte: Valor Econômico / Adriana Aguilar - 29/07/2010

     
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