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ABBC em Foco



Entrevista com Ricardo Gelbaum, presidente do conselho de administração da ABBC, no Broadcast: “Queremos ser mais eficientes e contribuir para expansão do crédito”.
Data: 22/05/2018

 
Caio Gallucci/ABBC
A Associação Brasileira de Bancos (ABBC), aproveitando a agenda do Banco Central conhecida como BC+, trabalha em várias frentes para reduzir custos das instituições associadas e ampliar a participação dos bancos de médio e pequeno portes, que representa no mercado. Antes de fechar o seu mandato de dois anos, em maio de 2019, Ricardo Gelbaum, presidente da associação e também diretor Institucional e de Relações com Investidores do Banco Daycoval, espera ver de pé uma Câmara de Registro de Títulos e Valores Mobiliários, concorrente à B3. Em outra frente, a ABBC discute mudanças para que mais bancos possam ser beneficiados por serviços que atualmente estão concentrados nas grandes instituições, como recebimento de contas de concessionárias.

No atual ambiente de expectativa em torno do resultado das eleições presidenciais de outubro, Gelbaum vê as instituições preparadas para o crescimento, mas girando carteiras, já que empresas e a economia ainda não demandam investimentos. O executivo defende as parcerias com as fintechs, fundamentais para a competição no mercado, segundo ele. Mas observa que a liquidação do Banco Neon no início de maio, com o qual a fintech Neon Pagamentos mantinha parceria, deixa a mensagem de que, sobretudo, é preciso operar com governança.

Broadcast: Como vê os bancos associados inseridos dentro do sistema bancário concentrado?
Ricardo Gelbaum: É uma boa discussão. Se tivermos preços equânimes, polaridade e possibilidade de acessar nossos clientes por meio físico ou digital, temos capacidade de contribuir para ajudar o crescimento. Se os bancos médios e pequenos têm hoje, não sei o número exato, de 10% a 15% do crédito do País, temos capacidade de ter mais 10%. Não falo em desconcentrar, mas ter uma participação maior. Há uma assimetria de oportunidades para os clientes dos bancos pequenos e grandes. Com isso teremos mais clientes, poderemos oferecer produtos mais baratos e regular o preço do mercado, por consequência, contribuir para diminuir o spread bancário.

Broadcast: Qual a sua avaliação sobre o atual ambiente de negócios para os bancos?
Gelbaum: Está bom, mas não há demanda por investimento e por crescimento no setor produtivo. A confiança se restabeleceu, não há muita concorrência, bancos públicos se retraíram e os privados se mantiveram quase sem crescimento. Os da associação cresceram um pouco mais. A economia está rodando, mas não está crescendo. Nunca vimos - e espero que perdure por um período longo - taxa de juro tão baixa. Quando a visibilidade sobre cenário político, geopolítico, for melhor, dará um gás muito grande as companhias. A Selic a 6,5% é um oxigênio enorme para as empresas.

Broadcast: Mas sem reforma da Previdência o oxigênio acaba?
Gelbaum: Estamos trabalhando com um cenário em que o próximo presidente seja suficientemente responsável - e acho que o Congresso está preparado para isso - para fazer as reformas necessárias. Isso vai ter uma dimensão enorme.

Broadcast: Enquanto vivemos em compasso de espera, como a indústria bancária está trabalhando?
Gelbaum: Está girando carteira. O que há de muito bom agora é que empresas e bancos não estão alavancados.

Broadcast: E as fintechs?
Gelbaum: São fundamentais para ajudar que sejamos mais competitivos. Mas vão precisar de bancos. E a ABBC está incentivando o debate e a capacitação. Na média, as fintechs ainda precisam entender governança e o sistema bancário, o aspecto regulatório e de governança na concessão de uma operação creditícia bancária.

Broadcast: Como avalia a liquidação do Banco Neon?
Gelbaum: Foi um evento fora da curva porque não foi na fintech, mas de um banco que já vinha com problemas. Acho que vai mudar a régua. Faltou um pouco, dos dois lados. Para os bancos saberem que nem todas as fintechs estão descobrindo a América e para as fintechs saberem quem estão escolhendo como parceiros. A mensagem do episódio é governança. Não adianta estar somente associado a uma fintech e com isso acima da concorrência.

Broadcast: Maio marca seu primeiro ano de mandato. O que mudou na associação?
Gelbaum: Temos uma diretoria e um conselho pluralistas e um novo estatuto. Temos a missão de profissionalizar e equipar a associação para dar aos nossos associados condições de sermos mais eficientes, competitivos e contribuir para o crescimento do crédito em todas as modalidades. Após constituir diretoria e conselho foram definidos os três pilares da associação, entre os quais, o institucional, baseado na representatividade, ou seja, estamos na Febraban e em outras entidades de classe, e a Febraban, por exemplo, participa do conselho da ABBC. O Banco Central está satisfeito com essa iniciativa, porque uniformiza pleitos.

Broadcast: Quais são os demais pilares?
Gelbaum: A ABBC Serviços é o segundo pilar. Temos 77 associados e 93 bancos que fazem a compensação pela ABBC Compensação, no pilar de serviços. O terceiro pilar é a ABBC Educacional, onde os trabalhos foram iniciados há anos, para atender colaboradores de nossos associados. Recentemente, fechamos um curso com o Banco Central de responsabilidade socioambiental. Estamos estruturando treinamento de compliance e risco cibernético. Blockchain e Open Bank foram alguns eventos realizados pela associação. Queremos aparelhar os funcionários dos bancos e da própria ABBC.

Broadcast: Quais projetos a ABBC está desenvolvendo em seu mandato e com quais objetivos?
Gelbaum: Queremos estar aparelhados para contribuir com o crédito e por isso elencamos quatro projetos para meu primeiro mandado. Estamos desenvolvendo uma Câmara de Registro de Títulos e Valores Mobiliários, como CDBs, LCAs, LCIs emitidos pelos bancos, e que seja de propriedade dos associados, tendo a ABBC apenas como prestadora de serviço. É o projeto mais adiantado e espero que esteja em pé antes do fim de meu mandato. Atualmente, somente a B3 presta esse serviço. Já processamos 280 milhões de documentos por ano na Câmara de Compensação, dentro do pilar de serviços da ABBC. Isso nos deu infraestrutura tecnológica de partida bastante desenvolvida, uma vez que 93 instituições estão ligadas à ABBC.

Broadcast: E os demais projetos?
Gelbaum: Outro é a interoperabilidade, o que significa que um cliente de qualquer banco pode obter os mesmos serviços e pagamentos de um cliente dos grandes bancos. Queremos abrir também para todos os bancos, por meio de um hub na ABBC, os pagamentos de impostos a concessionárias federais, estaduais e municipais, o que está igualmente concentrado nos grandes. Isso não é fácil. Ainda, outra iniciativa, é a abertura de conta digital para pessoa física e jurídica. Já houve avanço com a normatização pelo Banco Central para pessoa física, faltando somente para a pessoa jurídica. Todas as nossas iniciativas foram levadas à diretoria do Banco Central e tivemos amplo apoio.

Broadcast: Os projetos parecem alinhados com a agenda do Banco Central.
Gelbaum: Estamos conectados e apoiando a agenda BC+ e o esforço da autoridade monetária tem sido enorme na segregação dos custos de observância, que se referem a aqueles envolvidos na regulação. É claro que em um evento como o do Banco Neon percebe-se o quanto é importante estar regulado e alinhado com as normas da autoridade. Mas também é preciso flexibilizar, para que os nossos associados tenham maior eficiência, mantendo um grau de supervisão e acompanhamento adequado, ainda mais em um cenário de sistema de crédito crescendo.

(Cynthia Decloedt - cynthia.decloedt@estadao.com)


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