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Companhias evitam admitir ausência de políticas

Enviado em 08/05/2012 18:38:24

Conforme o ofício da CVM que trata das orientações para a elaboração do Formulário de Referência, caso a empresa não adote regras para a identificação e administração de conflitos de interesses, ela deveria ser franca e explicar o motivo pelo qual não definiu essas práticas. Mas não foi isso que constataram as autoras do estudo.
"Hoje em dia você tem um mercado aberto, existe de fato uma competição muito maior que obriga que as empresas tenham uma postura diferente, é uma exigência global. A empresa pode até não ter estabelecido essas práticas, mas, no mínimo, deveria dizer que não tem as regras e se mobilizar para estabelecê-las", avalia a pesquisadora Angela Donaggio, que conduziu estudo sobre o tema ao lado da professora Roberta Prado, da Direito GV.
Para Angela, as empresas só serão mais transparentes quando forem cobradas com mais vigor pela CVM. "Enquanto não for normal uma empresa admitir que tem conflito, vai ser difícil", diz.
Ela cita o caso da Brookfield que diz que "até a data deste Formulário de Referência não foi identificado qualquer conflito de interesses entre a companhia e seus administradores". Procurada, a empresa não retornou.
Já a professora Roberta Prado tem uma visão mais otimista. Ela acredita que as empresas têm sim acordos para lidar com conflitos de interesse, ainda que tácitos, mas que encontram dificuldades para expor. "Acho que as empresas não divulgam suas regras por falta de cultura. Se não existissem regras para lidar com conflitos de interesse, as empresas não sobreviveriam", defende.
O Formulário de Referência passou a ser obrigatório em 2010 e foi recebido com críticas por várias empresas, que reclamaram da extensão do documento e do trabalho para preenchê-lo, devido ao grande número de perguntas e ao elevado nível de detalhamento exigido.
A pesquisadora Angela conta que encontrou Formulários de Referências "dos sonhos" nos Estados Unidos e na França, onde, segundo ela, as empresas listam com naturalidade casos de conflitos de interesse que já apareceram nas assembleias e entre os membros do conselho, citando inclusive nomes.
Uma das empresas que não revelaram no Formulário de Referência suas práticas para identificar conflitos de interesses, a Marfrig, reconhece que essa é uma questão que pode ser definida e, futuramente, detalhada ao mercado. "É sempre um processo de evolução. A Marfrig é uma companhia listada há quatro anos e meio e tem evoluído de acordo com as práticas do mercado", diz o diretor de planejamento e relações com investidores, Ricardo Florence.
O executivo, que também é presidente da diretoria do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), acredita que nos próximos anos a CVM deve exigir mais das empresas quando o assunto for conflito de interesses e que as próprias companhias devem se tornar mais transparentes em relação à administração dessas situações.
"O próprio mercado tende a exigir das empresas aquilo que julga que elas possam dar uma abertura maior. Se o conflito de interesses for um desses temas, acredito que as empresas tendam a evoluir também nesse processo", diz.
Fonte: Valor Econômico/ Ana Luísa Westphalen - 10/01/2012
 


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