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Recuperação da economia americana ainda é frágil

Enviado em 08/05/2012 18:36:11

Uma safra de bons indicadores econômicos divulgada nos últimos dias, incluindo sinais de retomada no mercado de trabalho, sugere que os Estados Unidos estão finalmente entrando numa trajetória mais sólida de recuperação. Mas os avanços ainda são bastante frágeis e modestos, ante os estragos causados pela Grande Recessão, e a economia americana segue vulnerável à crise da zona do euro.
"O barulho excede a realidade", disse ao Valor Diane Swonk, economista-chefe da Mesirow Financial, baseada em Chicago, apontada pela imprensa especializada americana como uma das analistas que mais acertam as suas previsões. "Os dados são bons, não são ótimos."
Os mais otimistas dizem que, finalmente, os Estados Unidos têm um punhado de boas estatísticas para exibir. A taxa de desemprego caiu de 8,7% para 8,5% entre novembro e dezembro, mostram dados divulgados na sexta-feira. Mais importante, foram criados 200 mil postos de trabalho no último mês. Os EUA precisam gerar pelo menos 125 mil vagas para absorver os jovens que entram no mercado de trabalho e manter uma trajetória de queda na taxa de desemprego.
A produção industrial também emite sinais de recuperação, puxada pelas exportações. O chamado ISM, divulgado na semana passada, chegou a 55,1%, numa métrica em que qualquer número acima de 50% está no território positivo. O índice de confiança dos consumidores, divulgado em fins de dezembro, cravou 64,5%, alta de 9,3 pontos percentuais em relação ao mês anterior. As encomendas de bens duráveis subiram 3,8% em novembro, mais do que o previsto pelos analistas econômicos.
Essa não é a primeira vez que a economia americana dá sinais de engatar, por isso não está descartado o risco de falso alarme. Os EUA pareciam numa trajetória mais ou menos segura de recuperação em fins de 2010, mas voltou a patinar no começo do ano seguinte. No princípio, os economistas achavam que o mau desempenho se devia apenas a fatores conjunturais, como os efeitos do terremoto no Japão.
Diante do continuado desempenho medíocre, porém, o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Ben Bernanke, reconheceu em meados de 2011 que o crescimento da economia americana estava pior do que o esperado também devido a fatores estruturais, como a retração no consumo de famílias que procuravam reduzir dívidas.
As mais recentes estatísticas também têm os seus flancos, apesar de inegavelmente melhores do que o esperado. O desemprego de 8,5% é o menor em três anos, mas está muito acima da faixa de 5% a 5,5% em que o Fed acredita estar a taxa natural de desemprego. O economista Peter Morici, da Universidade de Maryland, pondera que boa parte da queda da taxa de desemprego nos últimos meses se deveu à redução da força de trabalho. "Há muitos adultos que não estão mais procurando empregos", disse Morici ao Valor. "Se essas pessoas seguissem na força de trabalho, a taxa de desemprego estaria na casa dos 10,5%." Alguns analistas têm apontado que, conforme as condições do mercado de trabalho melhorarem, mais gente voltará a procurar emprego, aumentando o desemprego.
O Instituto de Economia Política (EPI, na sigla em inglês), um conceituado centro de estudos de Washington, divulgou uma nota comemorando a aceleração na criação de empregos, mas lembrando que, na crise que afetou os Estados Unidos a partir de 2007, foram eliminados 10 milhões de empregos. "Mesmo com a taxa de crescimento do emprego de dezembro, levará cerca de sete anos para voltarmos ao nível pré-recessão."
Visto com lupa, dados como a retomada da confiança dos consumidores também não são tão brilhantes. "Os níveis de confiança do consumidor não são mais típicos de uma depressão, passaram agora a serem típicos de uma recessão", afirma Diane Swonk, da Mesirow Financial. "Estamos ainda muito longe dos níveis esperados para uma recuperação econômica normal."
A conclusão desse conjunto de números, afirma ela, é que os Estados Unidos estão melhores agora do que em grande parte do ano passado, mas a recuperação ainda é desigual e suscetível a choques externos, como um agravamento na crise europeia. Sua projeção é de um crescimento em torno de 2,5% em 2012, melhor do que a recessão de 1% esperada para a zona do euro, mas ainda assim insuficiente para os Estados Unidos se recuperarem do estrago causado pela Grande Recessão.
Morici, da Universidade de Maryland, afirma que os Estados Unidos seguem avançando modestamente apenas enquanto a recessão na Europa for moderada. "Se a recessão por lá for mais severa, provavelmente os Estados Unidos serão afetados."
Fonte: Valor Econômico/ Alex Ribeiro - 09/01/2012
 


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