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Inflação deve cair, mas sem atingir centro da meta

Enviado em 08/05/2012 18:35:45

O cenário para a inflação neste ano deverá mais tranquilo do que o de 2011, contando com um comportamento mais favorável dos preços administrados e alimentos. A maior parte das previsões aponta para IPCA entre 5% e 5,5%, abaixo dos 6,5% de 2011, quando o indicador fechou no teto da meta perseguida pelo Banco Central. Além disso, a reponderação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), feita com base na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 2008/2009, deve tirar de 0,2 a 0,4 ponto percentual do indicador, estimam analistas.
Para dificultar a tarefa do BC, há o grupo de serviços, formado por itens como aluguel, empregado doméstico e mensalidade escolar. O mercado de trabalho aquecido, a aumento, na casa de 14%, do salário mínimo e a melhora estrutural da renda nos últimos anos tendem a manter os serviços sob pressão, impedindo que o IPCA caia para o centro da meta, de 4,5%.
Os preços administrados (como tarifas públicas) são a grande aposta dos economistas para um IPCA mais moderado em 2012. "As tarifas de transporte público não devem sofrer reajustes tão intensos, e teremos também revisão de tarifas de energia, que podem contribuir para um comportamento mais ameno dos preços monitorados", diz o professor Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio.
Num ano de eleições, muitas prefeituras não devem reajustar as passagens de ônibus, como a de São Paulo, que em 2011 promoveu aumento de 11,1%, diz o economista Fabio Romão, da LCA Consultores. Além disso, a revisão tarifária de distribuidoras de energia pode até provocar queda das tarifas. Para Romão, os administrados devem subir 4,3% em 2012, bem abaixo dos 6,2% do ano passado.
O grupo alimentação e bebidas também pode dar algum refresco neste ano. O economista Fabio Ramos, da Quest Investimentos, acredita em alta de 6%, inferior aos 7,2% de 2011. Preços de commodities comportados devem ajudar.
Em relatório, Myriã Bast, do Bradesco, lembra que o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) mais baixo - 5,1% em 2011, bem menos que os 11,3% de 2010 - vai contribuir para segurar um pouco os administrados. Hoje, muitas tarifas públicas não são mais corrigidas automaticamente pelos IGPs, mas a inflação passada continua a ter peso na definição desse grupo.
Ramos também espera comportamento tranquilo dos preços de bens duráveis (como carros e eletroeletrônicos). Em 2011, esse grupo teve deflação de 1,56%. Ele não espera tombo semelhante - trabalha hoje com estabilidade dos preços-, mas vê aí um grupo de produtos que vai colaborar para conter a inflação. A Quest e o Bradesco projetam IPCA de 5,3% em 2012. A LCA, mais otimista, aposta em 4,8%, em parte por esperar alta de 5% dos alimentos, inferior aos 6% projetados pela Quest.
Se preços administrados, alimentos e duráveis devem auxiliar o BC, os serviços tendem a continuar muito pressionados. O mercado de trabalho forte dificulta uma desaceleração mais significativa desses preços. Romão espera que os serviços subam 8,2% em 2012 e Ramos, 8%.
"O efeito da política monetária é muito lento sobre a inflação de serviços. Teria que ser uma alta de juros muito forte, o que afetaria muito outras áreas mais sensíveis, como a indústria", observa Cunha. "E temos ainda o que é inflação benigna, de certa forma. O empregado doméstico, por exemplo, subiu 11,38% em 2011, após alta superior a 10% em 2010. Isso tem um efeito do ponto de vista social muito importante. Além disso, a incorporação de milhões de pessoas à nova classe C pressiona a demanda por serviços e, ao mesmo tempo, é essa nova classe social que fornece esses serviços, e eles estão sendo mais bem remunerados."
Nesse cenário, diz ele, "é difícil combater a inflação de serviços só com política monetária. O lado positivo do novo Brasil tem tudo a ver com a inflação de serviços pressionada."
Cunha não acredita na convergência da inflação para 4,5%. "Isso só ocorreria em duas situações: se a crise na Europa se agravasse muito e se o governo não tomasse medidas contracíclicas para conter os efeitos da crise no Brasil", diz ele, para quem as duas hipóteses são improváveis.
Fonte: Valor Econômico/ Sergio Lamucci e Tainara Machado - 09/01/2012
 


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