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Caixa rebate mercado e diz que poupança crescerá 32%

Enviado em 08/05/2012 18:27:07

O mercado espera que a poupança tenha em 2012 uma captação líquida (depósitos menos saques) semelhante à do ano passado, que foi a menor em cinco anos, mas a Caixa Econômica Federal, líder do segmento presidida por Jorge Hereda, espera crescer 32,7% neste ano. Em 2011, nem mesmo a taxa básica de juro em queda foi capaz de trazer recursos significativos para as cadernetas. Dados divulgados pelo Banco Central mostraram que, no ano passado, os depósitos superaram as retiradas em R$ 14,1 bilhões, o menor patamar desde 2006. Para se ter uma ideia, em 2009 esse dado havia sido de R$ 36,7 bilhões.
A Caixa, banco que detém participação de 35,7% no volume depositado nas poupanças no Brasil, apresentou também retração na captação líquida entre 2010 e 2011. No ano passado, o indicador foi de R$ 11,3 bilhões, ante R$ 13 bilhões em 2010. Édilo Valadares, diretor executivo de pessoa física do banco, diz que somente no primeiro dia útil de 2012, a captação líquida foi de R$ 366,5 milhões. "Neste ano, estamos trabalhando com um número acima de R$ 15 bilhões", diz.
O resultado das poupanças em 2011, para o professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, foi afetado pela inflação, que reduziu a renda real do trabalhador. "Sobrou menos para aplicar e pagar dívidas", afirma. "Em 2012, devemos ter resultado parecido para a poupança porque a inflação continuará alta". Na opinião do economista da LLA Investimentos, Sérgio Manoel Correia, a inflação ainda prejudica a poupança de outra forma: "Há aumento de procura por investimentos atrelados a índices de preços", diz.
De acordo com ele, o que aconteceu em 2011 foi uma demanda maior do investidor por aplicações ligadas a títulos de dívida privadas de bancos, empresas- a exemplo dos CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), as debêntures e os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios). "O ano passado foi o ano do crédito". Não à toa, os fundos de renda fixa, que englobam esses títulos, acabaram tendo um melhor desempenho, com captação líquida positiva em R$ 80 bilhões em 2011, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Os fundos DI, que acompanham a Selic, tiveram captação negativa de R$ 8,3 bilhões.
O estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, diz que ao contrário do que acontecia no passado, hoje a poupança tem uma série de modalidades competidoras. "Então, ela acaba se tornando um bom investimento somente quando o juro cai muito, como aconteceu próximo de 2009, quando a poupança, por não pagar imposto de renda, ficou mais atrativa", pondera.
Além disso, de acordo com ele, para os bancos não é interessante fazer propaganda da modalidade, apesar de eles a manterem na prateleira para poder direcionar seus recursos ao crédito imobiliário. "Como a poupança não tem taxa de administração, é mais interessante para os bancos que os clientes comprem outros produtos", pondera.
Em 2011, a poupança teve uma remuneração de 7,45%, bem menor do que o CDI, em 11,6%. Ainda que se desconte o Imposto de Renda (IR) e a taxa de administração, o rendimento das aplicações baseadas no CDI ainda fica quase 2% acima da poupança. "As cadernetas só acabam ganhando rentabilidade maior quando taxa de juro cai muito e o que aconteceu até agora não foi muito significativo", destaca Myrian Lund, professora da FGV-Rio. Além disso, para Correia, da LLA, o fato de a emissão de crédito continuar a todo vapor em 2012 deve fazer os investidores olharem menos para as cadernetas.
Fonte: Brasil Econômico/ Flávia Furlan e Ruy Barata Neto - 06/01/2012
 


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