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ABBC Destaca

Riscos simétricos

Como esperado, o Copom manteve a meta Selic em 6,5% a.a.. Assim, no seu entendimento, a política monetária continua estimulando a atividade, com a taxa de juros abaixo da taxa estrutural. A principal mudança na atualização do seu cenário foi a avaliação de que o balanço de riscos tornou-se simétrico em relação à elevação e queda da inflação. Como causa fundamental, pontuou a redução dos riscos associados ao processo de normalização monetária, por causa das decisões das principais economias avançadas em postergar para 2020 um possível aumento na taxa básica de juros.
 
Entretanto, houve avanço considerável das incertezas referentes ao processo de desaceleração global manifestadas no anúncio de um novo programa de estímulo ao crédito bancário pelo Banco Central Europeu e na indicação do Federal Reserve do término do processo de redução do seu balanço. De modo a evitar a criação de volatilidade adicional, ainda que as expectativas inflacionárias permaneçam ancoradas e com a recuperação da economia aquém da esperada, a taxa Selic deve ser mantida até que haja uma alteração relevante no cenário, aumentando a probabilidade de que a trajetória da inflação seja compatível com as metas.
 
De acordo com a pesquisa Focus, as expectativas de inflação para 2019 e 2020 encontram-se em torno de 3,9% e 4,0%, respectivamente. No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas do mesmo relatório, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,9% para 2019 e 3,8% para 2020 (Meta Selic encerrando 2019 em 6,5% a.a. e em 7,75% a.a. em 2020 e taxa de câmbio terminando 2019 em R$/US$ 3,70 e 2020 em R$/US$ 3,75). Por fim, no cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 3,85, as projeções situam-se em torno de 4,1% para 2019 e 4,0% para 2020.
 
Nesse novo perfil de risco, sem se vislumbrar um aquecimento mais intenso da demanda e no mercado de trabalho, é improvável que ocorra uma aceleração da inflação. Vale assinalar como fatores favoráveis, o ainda elevado hiato do produto e um provável efeito contracionista na demanda proporcionado pela implementação do teto das despesas para a União. A trajetória da taxa de câmbio mostra-se como o principal vetor para o risco de alta da inflação.
 
Localmente, não se deve desprezar o efeito negativo no balanço de risco de uma eventual frustração com o andamento das reformas nos prêmios de risco e na taxa de câmbio. Ademais, as revisões para baixo das projeções do crescimento mundial devem diminuir a pressão dos preços dos comercializáveis, contudo no que se refere às moedas emergentes, a queda nas cotações das principais commodities deve pressionar a taxa de câmbio dessas economias.
 
A avaliação prospectiva do efeito líquido da combinação de todos esses fatores não é trivial. Um diagnóstico mais efetivo deve demandar tempo. Assim, se faz necessária a sinalização de flexibilidade para a política monetária, de modo que a mesma possa reagir de forma tempestiva às alterações na conjuntura econômica. O Copom ressalta que o seu encaminhamento dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação. Por fim, ratifica a necessidade de cautela, serenidade e perseverança, diante de cenários voláteis, na perseguição de seu objetivo precípuo de que a dinâmica inflacionária seja compatível com as metas.

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