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ABBC Destaca

Evolução Rápida e Necessária

Pesquisa recente realizada pela Accenture – Star Shifting: Rapid Evolution Required – faz um balanço das mudanças estruturais que ocorrem na indústria bancária e de pagamentos. Datado de 2017, o levantamento global indica que os novos entrantes nos últimos 13 anos representam 17% do total de participantes. Adicionalmente, a evolução das receitas desses agentes e a relevante migração das rendas entre os componentes sinalizam o alto nível de “disrupção” vivenciado nesse mercado. Nesse sentido, a consultoria recomenda que os tradicionais bancos comerciais e de varejo repensem seus modelos de negócios e que a reorientação seja ousada, de forma a assegurar a sustentabilidade dessas instituições financeiras.
 
Simultaneamente à recuperação dos impactos da Grande Crise Financeira, os bancos se viram envoltos por uma armadilha proporcionada pelos novos contornos da concorrência e a deterioração na rentabilidade das suas atividades cotidianas. O novo ambiente vem gradualmente sendo construído por um conjunto de forças. A Accenture aponta como impulso competitivo fundamental, o suporte proporcionado pela regulação para entrada e atuação de novos agentes de mercado (ex. PSD1, PSD2, Open banking). Outro fator refere-se aos ganhos de conveniência obtidos com o mundo virtual nos processos de compras e de relacionamento social, que produziram alterações significativas nos hábitos comportamentais dos consumidores, impondo uma ameaça às atuais formas de geração de receita pela atividade bancária. Finalmente, a inovação digital está redefinindo os parâmetros de eficiência do setor, oferecendo alternativas e oportunidades de expansão aos seus participantes.
 
O impacto dos novos competidores – sobretudo das instituições de pagamento, bancos digitais, fintechs e plataformas de internet – já se fazem sentidos nas mudanças na estrutura de mercado e nos ganhos de receita obtidos pelos novos entrantes, especialmente nos serviços de pagamentos. A nova fronteira imposta pelas plataformas digitais assinala o desafio da forma de relacionamento entre os bancos e o consumidor. Ao contrário da experiência positiva vivenciada nos serviços oferecidos por essas plataformas, o sentimento vigente dos consumidores é de que o seu relacionamento com os bancos precisa ser melhorado.
 
O diagnóstico da Accenture é de que os investimentos em tecnologia da informação realizados pela indústria bancária são expressivos, além de apresentarem uma trajetória crescente. Entretanto, a digitalização na atividade bancária é ainda baixa, com as instituições gastando cerca de 70% do orçamento nos serviços já praticados e apenas 30% na procura de soluções relacionadas com a transformação digital, como cloud ou data analytics. Os investimentos em digitalização concentraram-se nos ganhos de eficiência nas práticas usuais.  Conclui a consultoria que as instituições não recorrem à inovação digital para o redirecionamento do seu modelo de negócios ou a ampliação dos serviços oferecidos, com poucas promovendo esforços adicionais para procurar novas fontes de crescimento.
 
Há boas razões para tanto, tal estratégia requer um grande esforço e está permeada pela incerteza quanto ao próprio futuro da atividade bancária. Fazer mais do que aperfeiçoar o modelo vigente exigirá que os bancos saiam das zonas de conforto. De positivo, a Accenture sublinha que muitos se valeram da primeira onda de digitalização para melhorar a experiência do cliente e entender como gerar valor para o cliente, elemento fundamental para que as estratégias de crescimento sejam bem-sucedidas.
Nesse sentido, serão exitosos os bancos que constituírem novas fontes de crescimento, beneficiando-se de novas alternativas na oferta de serviços financeiros. De acordo com o relatório, as instituições que estão fazendo alianças com as fintechs e mergulhadas na utilização de formas de digitalização estão tornando-se líderes, obtendo rentabilidade superior às linhas de negócio tradicionais. Contudo, para a Accenture, não há estratégia única de expansão, embora não existam dúvidas quanto à necessidade de acrescentar novos serviços aos já prestados, gerando valor adicional aos consumidores, semelhante ao propiciado pelos oferecidos pelas plataformas on-line.
 
A consultoria identifica, ainda, linhas estratégicas para que os bancos persigam novos caminhos, conjugados com a manutenção dos ganhos com o modelo de negócios hoje utilizado: (1) Utilizar os canais digitais para aumentar a parcela de mercado, por meio da implantação rápida de versões melhores e mais baratas dos serviços existentes; (2) Criar novas fontes de receitas vendendo novos serviços para os clientes já existentes; e (3) Obter receitas além da prestação de serviços relativos à atividade bancária.
 
A conclusão do documento é que a maioria dos bancos não está preparada para sustentar os esforços necessários para adaptar-se a esse novo ambiente. O êxito dependerá da agilidade organizacional e de investimentos e da capacidade de entregar de forma rápida as mudanças requeridas. As organizações deverão definir e comprometer-se com objetivos de médio e longo prazo, ainda que com algum grau de flexibilidade para ajustarem-se às forças imprevisíveis. É crítica a detecção das oportunidades e perigos, além da atividade bancária tradicional. Por fim, os bancos só serão bem sucedidos, se estenderem a credibilidade do seu relacionamento com os consumidores do novo mundo digital.
 
 
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