Você está em: Assessoria Econômica > ABBC Destaca

Assessoria Econômica

ABBC Destaca

Surpresas fundamentam a redução da Selic

Embora, na última reunião tivesse sinalizado como mais provável a interrupção do processo de flexibilização monetária, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 p.p. para 6,50% a.a.. Naquele momento, a moderada redução só seria possível na materialização de alterações no balanço de riscos para inflação. O último Comunicado encarou como apropriada a repetição desse movimento em maio. O que teria acontecido nesse intervalo de tempo que fundamentasse a mudança de postura?
 
A atualização do cenário básico mostrou que a inflação evoluiu de forma mais benigna do que a antecipada. A inflação anualizada mantém-se abaixo da meta (2,84%), mostrando surpresas positivas nos preços de alimentação, dos bens que reagem ao ciclo econômico e nas medidas de núcleo. Esses fatores conjugados, com a taxa de câmbio praticamente estável, reduzem consistentemente a projeção do IPCA de 2018 (3,63%).
 
O quadro favorável também é constatado nas projeções da autoridade monetária que mostram a inflação em torno de 3,8% para 2018 e de 4,1% para 2019 (ambas estimadas em 4,2% no comunicado de fevereiro). Valendo lembrar que os cálculos são baseados nas trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus que supõe a Selic encerrando 2018 em 6,5% e 2019 em 8,0%.
 
O Copom entende a redução da Selic como compatível com a convergência da inflação para a meta. Ainda no que tange ao horizonte relevante, o peso de 2019 crescerá gradualmente, de modo que provavelmente as expectativas dos mercados precifiquem o final do processo de ajuste monetário para a reunião de maio.
 
Por outro lado, as reduções na taxa Selic são sintomas de uma relativa frustação com o ritmo da recuperação cíclica da atividade econômica que gera preocupação quanto ao tamanho do hiato do produto e ao elevado nível de ociosidade dos fatores. Recente trabalho da Instituição Fiscal Independente estimou que esse hiato ao final de 2017 estivesse próximo de 6%. Ademais, o índice de atividade do Banco Central apontou em janeiro uma contração de 0,56%, após registrar uma alta de 1,16% em dez/17, acumulando um crescimento anual de 1,2%.
 
Finalizando, não são vislumbradas no curto prazo pressões inflacionárias pelo lado da demanda. Com o baixo impacto da frustação do mercado com o andamento das reformas nos prêmios de risco e a perspectiva de não reversão do cenário externo favorável é provável a que a taxa de juros permaneça por um período significativo abaixo da estrutural, com possibilidades até mesmo de novas reduções.

Endereço:
Av. Paulista, 1.842 - 15º andar - conj. 156
Edifício Cetenco Plaza - Torre Norte Cerqueira César - CEP: 01310-923
São Paulo - SP
Telefone: (5511) 3288-1688
Fax: (5511) 3288-3390